sexta-feira, 28 de março de 2008

SE...

Se for possível manter o senso diante
De um mundo que o perdeu e contra ti se levante;
Se poder crer em ti entre os que duvidam,
E cujas próprias dúvidas abrigam;
Se podes esperar sem desistir,
Ou recusar a mentira sem transgredir.
Ou suportar o ódio sem retibuir;
Se faltarem aparência e sabedoria para prosseguir.
Se podes sonhar, mas o sonho não te domina;
Se podes pensar, mas do pensamento não fazes tua sina;
Se te encontras com o triunfo e a tribulação
E os trata como os impostores que são;
Se suportas ouvir tua verdade
Deturpada por patifes em sua veleidade,
Ou ver destruída obra de tua dedicação
E encontras forças para levantá-la de novo do chão.

Se és capaz de juntar o fruto de tua conquista,
E arriscar-te a perdê-lo de uma só vez
E, perdendo, recomeçar do início da pista
Sem lamentar-se pelo que se desfez;
Se podes tirar do coração, do nervo de cada tendão
A força para te servirem quando toda a energia se vai
E continuar em frente quando nada te resta senão
A vontade que a eles diz: "Não cessai!"

Se podes manter tua virtude entre gente comum,
Ou andar entre reis sem perder esse encanto;
Se ninguém, amigo ou inimigo, pode te fazer mal algum
Se todos contam contido, mas nem tanto;
Se preencher um minuto crucial
Com sessenta segundos de puro brilho,
Tua é a terra e tudo o que nela há, e afinal
Terás te tornado um homem, meu filho!

Rudyard Kipling

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